Traumatologia dentária: gestão endodôntica de luxações e fraturas coronárias
Os protocolos de tratamento imediato recomendados pela International Association of Dental Traumatology para as diferentes categorias de trauma dentário, e por que o momento da intervenção condiciona mais do que qualquer outro fator a sobrevivência pulpar.
O trauma dentário agudo — prevalente em crianças e adolescentes, mas longe de ser raro em adultos por acidentes desportivos ou de trânsito — requer um enquadramento diagnóstico rápido segundo a classificação de Andreasen, que distingue as fraturas coronárias (sem exposição pulpar, com exposição pulpar, complicadas por fratura radicular) das luxações (concussão, subluxação, luxação lateral, intrusiva, extrusiva) e da avulsão completa. Cada uma destas categorias tem um protocolo de gestão imediata específico, codificado nas diretrizes da International Association of Dental Traumatology (IADT), atualizadas periodicamente com base na evidência clínica disponível.
Nas fraturas coronárias com exposição pulpar, o fator prognóstico determinante para a sobrevivência pulpar é o tempo decorrido entre o trauma e o tratamento: uma exposição tratada dentro de poucas horas com pulpotomia parcial (remoção de uma fina camada de tecido pulpar superficial contaminado, seguida de curativo com material biocerâmico) num dente com ápice ainda em formação tem perspetivas de preservação da vitalidade pulpar significativamente melhores do que uma exposição tratada dias depois, quando a contaminação bacteriana já atingiu a polpa mais profunda.
As luxações apresentam um risco específico de reabsorção radicular pós-traumática — inflamatória, substitutiva (anquilose), ou cervical invasiva — cuja incidência e gravidade se correlacionam diretamente com a extensão do dano ao ligamento periodontal e à superfície radicular no momento do trauma. As luxações intrusivas, nas quais o dente é empurrado para dentro do osso alveolar, comportam o risco mais elevado de necrose pulpar (quase constante em dentes com ápice completado) e de reabsorção radicular progressiva, exigindo um acompanhamento clínico e radiográfico próximo nos meses seguintes ao trauma, mesmo na ausência de sintomas imediatos.
A avulsão completa (o dente expulso inteiramente do alvéolo) é a única verdadeira urgência odontológica em que o tempo extraoral do dente condiciona de forma drástica o prognóstico: o reimplante imediato no local do acidente, ou dentro de poucos minutos conservando o dente num meio adequado (soro fisiológico, leite, saliva do próprio paciente — nunca água da torneira, que é hipotónica e lisa as células do ligamento periodontal remanescentes na superfície radicular), é o único fator realmente capaz de preservar a viabilidade das células do ligamento periodontal e, portanto, o prognóstico a longo prazo do dente reimplantado.
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