Resultados do tratamento endodôntico: critérios de sucesso, cicatrização e acompanhamento
Porque cicatrização radiográfica e sobrevivência do dente são duas medidas diferentes que explicam percentagens de sucesso muito distantes na literatura, que fatores pesam realmente no prognóstico e quando um controlo justifica um retratamento.
A primeira fonte de confusão quando se comparam os dados sobre resultados é que os estudos não medem a mesma coisa. Os critérios estritos definem sucesso como cicatrização completa: ausência de sintomas, ausência de radiotransparência periapical e espaço do ligamento periodontal de amplitude normal. Os critérios funcionais definem sucesso como sobrevivência: um dente assintomático, em função e conservado na arcada, mesmo na presença de uma radiotransparência residual estável. Uma vez que a segunda condição é menos exigente do que a primeira, as percentagens daí resultantes são sistematicamente mais elevadas, e a distância entre os dois valores reflete uma diferença de definição e não de qualidade do tratamento. Um fator análogo diz respeito ao diagnóstico: a tomografia computorizada de feixe cónico deteta lesões periapicais que a radiografia bidimensional não mostra, o que baixa as percentagens de sucesso aparentes nos estudos que a utilizam — um efeito da sensibilidade do instrumento, não uma degradação dos resultados clínicos.
Entre os fatores prognósticos, aquele que pesa mais ainda antes de começar é a presença de uma lesão periapical pré-operatória: um dente com periodontite apical tem uma probabilidade de cicatrização completa inferior à de uma pulpite tratada antes da necrose, e este dado é constante na literatura. O segundo elemento, frequentemente subestimado, é a qualidade da restauração coronária, que influencia o resultado tanto e por vezes mais do que a qualidade da obturação radicular: uma obturação tecnicamente excelente sob uma restauração que infiltra é recontaminada pela vertente coronária, e o tratamento falha por uma razão que nada tem a ver com a endodontia. A extensão apical da obturação mantém um efeito mensurável, com melhores resultados para obturações contidas no canal do que para as curtas ou extravasadas. O número de sessões, pelo contrário, não mostra diferenças clinicamente relevantes, e o retratamento apresenta resultados em média inferiores ao tratamento primário.
A cicatrização periapical é um processo lento, e daí decorre uma consequência prática importante: um controlo demasiado precoce produz interpretações erradas. A reparação óssea exige meses e, em lesões extensas, anos; uma radiotransparência que aos seis meses é menor do que a inicial está a cicatrizar, ainda que continue visível. Por esta razão, a convenção consolidada prevê um acompanhamento mínimo aos doze meses, alargado até quatro anos nos casos com lesão pré-operatória, e um retratamento decidido aos seis meses sobre uma lesão em redução é quase sempre prematuro. Os sinais que efetivamente justificam uma intervenção são outros e reconhecíveis: sintomatologia persistente, aparecimento ou não encerramento de uma fístula e, sobretudo, uma lesão estável ou em aumento ao fim de um ano.
Para que a comparação ao longo do tempo seja interpretável, as radiografias de controlo devem ser comparáveis com a inicial: geometria de projeção reprodutível através de posicionadores, os mesmos parâmetros de exposição e registo da dimensão da lesão no momento zero. Sem uma referência de partida documentada, a avaliação à distância torna-se uma impressão subjetiva, e a decisão de retratar, operar por via cirúrgica ou continuar a observar acaba por depender da memória do clínico mais do que dos dados. Vale a pena estruturar a consulta de controlo endodôntico como um compromisso planeado no final do tratamento, e não como um evento dependente de o paciente regressar por causa de um sintoma.
Na Oralzon encontra sensores radiográficos digitais, posicionadores e centradores para projeções paralelas reprodutíveis ao longo do tempo, películas e suportes para o arquivo dos controlos e os materiais para o selamento coronário definitivo que condiciona o resultado à distância.