Régua de medição interdentária: quanto esmalte se pode realmente remover com o stripping
Porque o stripping feito a sentimento é o modo mais rápido de ultrapassar os limites de segurança, quanto espaço se ganha realisticamente por arcada e como se mede um triângulo negro antes de decidir fechá-lo.
A redução interproximal do esmalte é um procedimento conservador e previsível enquanto se mantiver dentro de limites mensuráveis, e torna-se um problema quando a quantidade removida é estimada a olho. A espessura do esmalte interproximal não é uniforme: nos incisivos inferiores é fina e deixa margens reduzidas, nos posteriores é mais generosa. A regra operatória partilhada é não exceder cerca de metade da espessura disponível por superfície, o que se traduz em poucos décimos de milímetro por lado e num ganho realista de poucos milímetros por arcada — não os valores que por vezes se ouvem citar. Medir significa saber quando parar; não medir significa descobri-lo quando a sensibilidade do doente o assinala.
A régua interdentária, na forma mais difundida uma lâmina calibrada com espessuras crescentes, serve exatamente para isto: insere-se no espaço interproximal antes e depois da redução, e a diferença entre a espessura que passa no início e a que passa no fim é a quantidade efetivamente removida. É uma verificação objetiva que substitui a estimativa e tem uma segunda vantagem: permite distribuir a redução por vários contactos em vez de a concentrar num só, que é o que acontece quase sempre quando se trabalha sem controlo.
O mesmo instrumento é útil na avaliação dos triângulos negros. A decisão de fechar um espaço interproximal com redução de esmalte, com restauração a compósito ou deixando-o como está depende de duas medidas: a amplitude do espaço e a distância entre o ponto de contacto e a crista óssea. Acima dos cinco milímetros de distância a papila dificilmente preenche o espaço sozinha, e insistir com stripping para aproximar os dentes produz um contacto longo e antiestético sem resolver o problema. Também aqui a medida orienta a escolha terapêutica melhor do que a impressão visual, que tende a sobrestimar os espaços nos setores anteriores e a subestimá-los nos posteriores.
No plano prático, a redução deve ser sempre seguida de polimento e aplicação de flúor: uma superfície de esmalte deixada rugosa retém placa e aumenta o risco de cárie interproximal, que é a complicação que torna o stripping um procedimento discutido quando é mal executado.
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