Reembasamento das próteses removíveis: quando e como fazê-lo

A diferença clínica entre reembasamento duro (hard relining) e macio (soft relining), quando é necessário um ou outro, e por que o reembasamento continua sempre a ser uma solução provisória destinada a adiar, não a evitar, uma nova prótese.

Com o passar do tempo, a remodelação óssea natural da arcada desdentada modifica progressivamente a relação entre a base da prótese removível e os tecidos subjacentes, tornando a prótese cada vez menos estável e menos aderente, mesmo que não tenha sofrido nenhum dano estrutural visível. O reembasamento intervém precisamente sobre este desajuste: adiciona novo material à superfície interna da prótese para restabelecer a sua adaptação aos tecidos, sem ser necessário reconstruir toda a peça do zero.

O hard relining utiliza materiais não resilientes — resinas rígidas à base de polimetilmetacrilato, a mesma família química das bases protéticas originais — e é a escolha indicada quando o objetivo é restabelecer uma verdadeira adaptabilidade mecânica estável e duradoura da prótese aos tecidos. O soft relining, pelo contrário, utiliza materiais resilientes — tipicamente polivinilsiloxanos (silicones) ou resinas acrílicas modificadas com plastificantes — que permanecem elásticos ao longo do tempo, funcionando como uma almofada amortecedora entre a base rígida da prótese e a mucosa oral subjacente.

As indicações clínicas para o soft relining incluem em particular os rebordos alveolares ósseos particularmente afiados ou finos, onde uma base rígida causaria traumas repetidos à mucosa a cada carga mastigatória, e os casos de sub-contornos ósseos que dificultam a colocação e remoção da prótese. O soft relining encontra também aplicação como condicionador dos tecidos: nos casos de mucosa inflamada por uma prótese mal adaptada há muito tempo, um reembasador macio temporário pode favorecer a cicatrização dos tecidos ainda antes de proceder a um reembasamento definitivo ou a uma nova impressão funcional.

É importante que o paciente compreenda um ponto clínico claro: por mais eficazes que sejam, os reembasamentos continuam sempre a ser soluções económicas e transitórias, úteis para adiar no tempo a realização de uma prótese completamente nova, não para a substituir indefinidamente. A remodelação óssea da arcada desdentada é um processo contínuo que não cessa com o próprio reembasamento, e uma prótese reembasada várias vezes ao longo dos anos atinge de qualquer forma um ponto em que o simples ajuste da base já não é suficiente para garantir função e conforto adequados, tornando necessária uma nova prótese construída sobre uma impressão atualizada da arcada atual.

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