Protocolos de manutenção dos implantes dentários
Por que manter a higiene de um implante não é mais simples do que a de um dente natural, os retornos aconselhados fase por fase, e o dado que demonstra o quanto conta realmente o seguimento regular.
Um erro conceptual difundido, mesmo entre os pacientes mais atentos à sua própria higiene oral, é pensar que um implante, não estando sujeito a cárie, requer menos atenção em relação aos dentes naturais. É verdade precisamente o contrário: os tecidos periimplantares, desprovidos do ligamento periodontal que nos dentes naturais oferece uma barreira biológica adicional contra a progressão da inflamação, podem ser inclusive mais vulneráveis uma vez instalado um processo inflamatório, tornando a prevenção ainda mais determinante do que na dentição natural.
O protocolo de retorno recomendado pela literatura articula-se em fases distintas. Na semana seguinte à intervenção cirúrgica de colocação implantar, é indicada uma primeira consulta de controlo, seguida de retornos próximos (indicativamente a cada duas semanas) até à cicatrização completa do local e à demonstração, por parte do paciente, de um controlo adequado da placa bacteriana. Uma vez completada a fase protética, o intervalo alarga-se tipicamente para um retorno a cada 3 meses, em concomitância com os controlos clínicos e radiológicos programados pelo dentista; nos primeiros dois anos após a reabilitação, alguns protocolos preveem também testes microbiológicos periódicos para monitorizar mais de perto as condições dos tecidos periimplantares.
O dado mais eloquente a favor da importância deste protocolo vem de um estudo de seguimento a 5 anos: nos pacientes que não aderiram a um plano de manutenção regular, na presença de uma mucosite periimplantar pré-existente, a incidência de periimplantite atingiu 43,9% dos casos, contra 18% observado nos pacientes acompanhados com retornos periódicos regulares — uma diferença que por si só justifica a insistência com que os profissionais recomendam a manutenção programada, mesmo quando o paciente não percebe qualquer sintoma.
Para além da frequência dos retornos, alguns fatores de risco específicos devem ser monitorizados com particular atenção em cada controlo: o tipo de prótese instalada, que pode tornar mais ou menos fácil a remoção domiciliar da placa por parte do paciente; o controlo glicémico nos pacientes diabéticos, recomendado mesmo na ausência de sinais de doença periimplantar em curso; e o hábito tabágico, para o qual intervenções validadas de cessação são especificamente recomendadas para reduzir o risco de doença periimplantar. Durante cada consulta de retorno, a avaliação deve sempre incluir a profundidade de sondagem comparada com os valores de referência registados no final da reabilitação, e a presença de hemorragia ou supuração na sondagem, ambos sinais precoces que, se detetados atempadamente, permitem uma intervenção antes que o dano ósseo se torne irreversível.
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