Protocolos de higiene oral pós-intervenção cirúrgica
As indicações práticas para a gestão da higiene oral nos dias seguintes a uma extração ou a uma intervenção implantar: quando retomar a escovagem, como usar corretamente a clorexidina e durante quanto tempo.
Nas primeiras 24 horas após uma intervenção de cirurgia oral — extração, colocação de implante, cirurgia periodontal — a higiene mecânica direta na zona operada deve ser sempre evitada: enxaguamentos vigorosos, escovagem sobre o local cirúrgico e uso de irrigador oral arriscam perturbar o coágulo ou as suturas, comprometendo a cicatrização inicial. O resto da boca, não afetado pela intervenção, pode ser tratado com a rotina normal de higiene domiciliar, incluindo a escova elétrica se já em uso.
A partir do dia seguinte, o pilar do protocolo pós-operatório torna-se o colutório à base de clorexidina, geralmente na concentração de 0,2%, a usar puro (não diluído) e mantido na boca durante um minuto completo, duas vezes ao dia, por um período que na maioria dos protocolos se estende de 7 a 10 dias. A clorexidina continua a ser, até hoje, o único agente capaz de controlar eficazmente a placa bacteriana oral na fase em que a higiene mecânica normal está temporariamente limitada ou totalmente suspensa na zona tratada — razão pela qual os protocolos clínicos a consideram insubstituível nesta fase, ainda que com um efeito colateral bem conhecido e reversível: após cerca de uma semana de utilização contínua podem aparecer pigmentações acastanhadas nos dentes e na língua, que desaparecem com a suspensão do tratamento.
Em torno do local cirúrgico específico, a indicação mais comum é suspender o uso da escova — especialmente se elétrica, pela maior agressividade mecânica — até à remoção dos pontos de sutura ou de qualquer forma até indicação explícita do cirurgião, confiando entretanto exclusivamente nos enxaguamentos de clorexidina para o controlo da placa nessa área. O gelo aplicado externamente nas primeiras horas (tipicamente em ciclos de 20 minutos sim e 20 minutos não, ou de acordo com as indicações específicas recebidas) ajuda a conter o inchaço, que normalmente atinge o pico entre as 48 e as 72 horas para depois diminuir progressivamente.
É importante que o paciente compreenda a diferença entre um decurso normal e um sinal de alarme: inchaço, hematomas ligeiros e desconforto nos primeiros 2-3 dias enquadram-se na normalidade para a maioria das intervenções, enquanto um agravamento dos sintomas após o terceiro dia, febre, hemorragia persistente ou secreções com mau odor devem ser sempre comunicados prontamente ao consultório, sem esperar pela consulta de controlo já agendada.
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