A primeira encomenda de um país onde nunca vendeu: o que muda de facto
A primeira encomenda de outro país europeu provoca quase sempre alguma inquietação, e na maioria dos casos a inquietação é desproporcionada face ao que muda.
Vale a pena separar as diferenças reais das imaginadas, porque são poucas e conhecê-las de antemão retira a maior parte do problema.
Não há alfândega. As expedições entre países da União Europeia não atravessam uma fronteira aduaneira: não há declarações, nem direitos, nem retenções. Desse ponto de vista, expedir para Munique é como expedir para Bolzano.
O IVA não se aplica, com a autoliquidação, quando o cliente tem um número de IVA válido inscrito no VIES. A verificação acontece no momento da encomenda, portanto chega já feita.
O transporte custa mais e demora alguns dias mais. É a diferença operacional mais concreta, e também o motivo pelo qual o transfronteiriço funciona melhor com produtos de valor alto e peso baixo do que com descartáveis pesados.
O idioma parece um obstáculo e na prática é-o menos do que se previa. As fichas já estão traduzidas, a encomenda chega estruturada e não como texto livre, e as poucas trocas diretas resolvem-se em inglês ou com uma tradução automática que para este conteúdo funciona.
O que muda de facto, e ninguém diz, são as expectativas.
Um cliente alemão dá a pontualidade como garantida e comunica de forma direta: se algo não está bem escreve-o sem rodeios, e não é hostilidade. Um cliente francês espera mais cuidado na forma da correspondência. Nalguns países do norte é normal pedir o número de seguimento antes mesmo da confirmação.
São diferenças culturais que se aprendem em três ou quatro encomendas, e não exigem nada além de reparar nelas.
No plano prático convém preparar duas coisas antes de a encomenda chegar, não depois. Uma tarifa de expedição para as zonas europeias que cobre, para que o custo apareça ao cliente em vez de ter de ser calculado à mão. E uma embalagem adequada a um transporte mais longo, porque uma encomenda que aguenta Milão-Roma não aguenta necessariamente Milão-Varsóvia com mais etapas de triagem.
O resto é idêntico a uma venda interna: prepara, expede, atualiza o estado.
A primeira encomenda estrangeira é, no fundo, sobretudo um ensaio de procedimento. Depois de passar, a segunda já não faz diferença, e o seu mercado tornou-se de repente vinte vezes maior.
Em resumo: entre países da UE não há alfândega e expedir para fora é como expedir para outra cidade, o IVA não se aplica com a verificação VIES já feita, o transporte custa e demora mais o que favorece produtos de valor alto e peso baixo, as diferenças reais são culturais e aprendem-se em poucas encomendas, e tarifas de expedição e embalagem preparam-se antes e não depois.