Pontas para destartarizador: porque uma ponta gasta um milímetro trabalha muito pior
Como se escolhe a geometria conforme o tipo de depósito, porque a perda de comprimento reduz a eficácia de forma desproporcionada e quais as regras de adaptação em superfícies radiculares e implantes.
As pontas de destartarizador não são intermutáveis, e a escolha segue o tipo de depósito e a zona. As pontas mais robustas, de maior secção, são concebidas para tártaro supragengival abundante e trabalham a potência média-alta: removem depressa mas não entram numa bolsa sem a traumatizar. As pontas finas, alongadas e muitas vezes curvas servem o desbridamento subgengival, onde o critério não é a força mas o acesso: têm de alcançar o fundo da bolsa seguindo a anatomia radicular, e para isso trabalham a baixa potência. Usar uma ponta universal em subgengival significa não chegar onde é preciso e, na tentativa de compensar, subir a potência — o modo mais direto de danificar o cemento radicular.
O dado menos conhecido, e o mais relevante em termos económicos, diz respeito ao desgaste. Uma ponta ultrassónica trabalha porque vibra a uma frequência específica com uma amplitude determinada pelo seu comprimento: ao encurtar por desgaste, sai da condição para que foi concebida e perde eficiência de forma não proporcional. A literatura e as indicações dos fabricantes convergem numa ordem de grandeza surpreendente: uma perda de cerca de um milímetro implica uma redução de eficácia na ordem dos vinte e cinco por cento, e dois milímetros ultrapassam os cinquenta. O resultado prático é que uma ponta gasta faz o clínico demorar o dobro do tempo para o mesmo resultado, e muitas vezes leva-o a aumentar a potência. Os cartões de controlo de desgaste fornecidos pelos fabricantes existem precisamente para isto e devem ser usados: a olho a diferença não se vê.
Quanto à adaptação valem três regras que reduzem os danos iatrogénicos. A ponta mantém-se paralela à superfície radicular ou com angulação mínima, nunca perpendicular: o contacto de ponta concentra a energia num ponto e risca a raiz. O movimento deve ser contínuo e por roçamento, sem pressão — a pressão não aumenta a eficácia do ultrassom, reduz-a, porque amortece a oscilação. E a irrigação deve manter-se ativa e regulada: arrefece, mas sobretudo gera a cavitação que contribui para a remoção do biofilme.
Um caso à parte são os implantes. As pontas metálicas riscam a superfície de titânio, e uma superfície riscada retém mais placa do que antes: nos pilares implantares e nas superfícies expostas são precisas pontas dedicadas em material não metálico ou revestidas, e isto vale também para as consultas de manutenção peri-implantar de rotina.
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