Películas barreira descartáveis: que superfícies não se podem desinfetar e o que fazer em vez disso

Porque algumas superfícies do consultório devem ser protegidas em vez de desinfetadas, como se distingue uma barreira eficaz de uma decorativa e qual o erro de sequência que anula todo o sistema.

A lógica das barreiras descartáveis nasce de um limite físico, não de uma preferência organizativa. Algumas superfícies tocadas em todas as consultas não toleram uma desinfeção repetida e completa: a janela de emissão de um fotopolimerizador fica baça sob a ação de desinfetantes alcoólicos e perde potência de forma invisível a olho nu; um sensor radiográfico digital é um dispositivo eletrónico caro que não pode ser imerso nem autoclavado, e a sua superfície irregular retém resíduo orgânico precisamente onde o pano não chega; as pegas dos candeeiros e os comandos do equipamento têm interstícios por onde o desinfetante passa por cima sem alcançar o fundo. Para todas elas, o caminho praticável é impedir a contaminação em vez de a remover depois.

O caso do sensor radiográfico merece tratamento à parte porque é o de risco mais concreto. O sensor entra na boca, contacta com saliva e por vezes com sangue, e passa de um doente para outro em poucos minutos: sem uma barreira eficaz é um vetor direto. Deve dizer-se, contudo, que uma única capa não é considerada suficiente por si só nas orientações mais prudentes, porque as películas podem apresentar microperfurações: a abordagem recomendada prevê a barreira mais uma desinfeção de nível intermédio da superfície do sensor entre doentes, segundo as indicações do fabricante. A barreira reduz a carga, não a elimina.

Na escolha do produto contam duas coisas que só se notam no uso. A primeira é a aderência: uma película que se solta enquanto se trabalha protegeu enquanto se manteve no sítio, ou seja durante a parte menos arriscada da consulta. A segunda é a transparência ótica, e diz respeito especificamente ao fotopolimerizador: uma película baça ou espessa atenua a luz que chega ao compósito, e essa atenuação é invisível durante o trabalho — manifesta-se meses depois como sensibilidade pós-operatória ou infiltração marginal. Vale a pena verificar periodicamente com um radiómetro a saída do aparelho com a barreira aplicada, e não sem ela, porque é essa a condição real de uso.

O erro que anula todo o sistema é de sequência. A barreira deve ser removida com as luvas ainda calçadas e substituída antes de tocar na superfície subjacente: se for retirada com as mãos nuas, ou se se tocar na superfície protegida depois de remover a película contaminada, a proteção serviu para deslocar a contaminação, não para a evitar. E uma barreira não substitui a desinfeção das superfícies que podem ser desinfetadas: são estratégias complementares, aplicadas a superfícies diferentes por razões diferentes.

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