Odontopediatria: a abordagem ao pequeno paciente
A técnica tell-show-do para gerir a ansiedade das crianças na cadeira, quando fazer a primeira consulta, e as opções de gestão comportamental disponíveis para os casos mais difíceis.
A odontopediatria não é simplesmente odontologia em escala reduzida: uma cárie numa criança trata-se clinicamente de forma semelhante à de um adulto, mas a verdadeira dificuldade está na gestão da relação com um paciente que muitas vezes ainda não tem as ferramentas cognitivas e emocionais para compreender e aceitar passivamente um tratamento. A American Academy of Pediatric Dentistry recomenda realizar a primeira consulta até ao primeiro ano de vida da criança, uma indicação muitas vezes não cumprida na prática mas que permite estabelecer uma relação de confiança precoce e detetar atempadamente eventuais problemas, desde a cárie da primeira infância até hábitos como a sucção prolongada da chupeta.
A técnica comportamental mais utilizada em odontopediatria é o tell-show-do (explicar-mostrar-fazer): o profissional explica à criança, com uma linguagem adequada à sua idade e evitando cuidadosamente palavras de elevado conteúdo ansiogénico como "agulha", "picada" ou "dor", o que vai fazer; mostra-lhe o instrumento e, quando possível, faz-lhe experimentar de forma inócua a sensação que sentirá (por exemplo o fluxo de ar da seringa ar-água nas costas da mão antes de a usar na boca); e só então executa o procedimento. Esta abordagem gradual reduz a ansiedade antecipatória, que é muitas vezes a componente mais difícil de gerir nas crianças pequenas.
Outras medidas práticas incluem o uso de nomenclatura imaginativa para os instrumentos que possam assustar, a presença do progenitor ao colo durante as primeiras fases da consulta se a criança o desejar, e o agendamento das consultas nas horas do dia em que a criança está menos cansada e mais colaborante, tipicamente de manhã. Nos casos não urgentes em que a criança se revela pouco colaborante, é muitas vezes preferível adiar um tratamento não essencial em vez de o forçar, para evitar que uma experiência negativa comprometa a disponibilidade para colaborar nas sessões seguintes.
Para os casos que requerem um apoio farmacológico à gestão da ansiedade, a sedação consciente com protóxido de azoto e oxigénio (também conhecida como analgesia relativa) representa a técnica de primeira escolha recomendada pelas principais sociedades internacionais de odontopediatria quando alguma forma de sedação se revela necessária: a criança permanece consciente durante todo o procedimento mas profundamente relaxada, com um perfil de segurança favorável em relação a alternativas mais invasivas como a sedação intravenosa.
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