Munhões removíveis: a folga do pino é o erro que se multiplica em cada elemento
O modelo de trabalho com munhões removíveis permite trabalhar a margem a 360 graus e repor o munhão na posição exata. A segunda parte é dada como certa, e é aí que o erro entra.
Todo o sistema de reposicionamento tem uma tolerância. Um munhão que volta ao lugar com vinte micrómetros de folga reproduz essa imprecisão na restauração, e num elemento unitário é aceitável.
Numa ponte de quatro elementos, com quatro munhões cada um com a sua folga, os erros combinam-se. A estrutura pode revelar-se não passiva apesar de ter sido construída corretamente sobre cada munhão.
É uma das explicações do fenómeno que o clínico observa como ponte que não assenta: cada coroa isoladamente ajusta, mas juntas não.
Os sistemas de pino simples são os mais simples e os menos estáveis, porque o munhão pode rodar em torno do pino. Compensa-se com uma superfície de apoio plana e ampla, mas a rotação continua possível se esse apoio estiver gasto.
Os sistemas de pino duplo eliminam a rotação por construção: dois pontos definem um eixo. São o padrão para trabalhos extensos precisamente por isso.
Os pinos de secção não circular — quadrada ou ranhurada — conseguem o mesmo com um único elemento, e são úteis onde o espaço não permite dois orifícios.
Os sistemas sem pino usam em contrapartida uma fresagem de precisão da base do munhão, que encaixa num alojamento correspondente. Eliminam a folga mecânica do pino e são os mais precisos, mas exigem equipamento dedicado.
A execução dos orifícios é onde a precisão se perde. Um orifício não paralelo aos restantes obriga o munhão a inserir-se forçando, e essa força alarga progressivamente o orifício até criar folga.
O berbequim com paralelómetro existe para isso, e a alternativa manual produz orifícios que parecem paralelos e não o são.
A chave de silicone à volta dos munhões é a verificação mais simples e pouco usada. Constrói-se sobre o modelo íntegro, e permite a qualquer momento confirmar que os munhões repostos ocupam a posição de partida.
O gesso da base deve escolher-se com expansão compatível com a dos munhões. Materiais diferentes expandem de forma diferente, e a diferença traduz-se em munhões que, depois da presa, já não voltam exatamente ao lugar.
Em síntese: pino duplo ou não circular para impedir a rotação, orifícios paralelos executados com equipamento dedicado, gessos compatíveis entre base e munhões, e uma chave de silicone como verificação. Num elemento unitário a folga tolera-se; numa ponte extensa soma-se.