Materiais biocerâmicos em endodontia: MTA, Biodentine e cimentos à base de silicato

As propriedades químico-físicas que distinguem os cimentos à base de silicato de cálcio dos materiais endodônticos tradicionais, as diferenças práticas entre as formulações disponíveis, e como se orientar entre as diferentes indicações clínicas.

A introdução do Mineral Trioxide Aggregate (MTA) no final dos anos 90 marcou uma descontinuidade na disponibilidade de materiais endodônticos verdadeiramente bioativos: ao contrário dos materiais historicamente usados para o capeamento pulpar, apicificação e reparação de perfurações — hidróxido de cálcio puro, óxido de zinco eugenol, amálgama — o MTA e os cimentos à base de silicato de cálcio dele derivados não se limitam a uma ação de barreira mecânica passiva, mas induzem ativamente a formação de tecido duro (cemento, dentina reparadora) em contacto direto, através da libertação de iões de cálcio e da formação de hidroxiapatite na interface com os tecidos biológicos.

As formulações posteriores ao MTA original — Biodentine, cimentos biocerâmicos puros de várias marcas, e as versões de presa rápida do próprio MTA — abordaram de forma diferenciada as limitações práticas do material original: o tempo de presa inicial de 2-4 horas, que impunha uma segunda sessão clínica para a restauração definitiva, foi reduzido a poucos minutos em várias formulações modernas, mantendo propriedades biológicas substancialmente comparáveis; a tendência para a discromia por óxido de bismuto (presente no MTA cinzento e ainda mais no MTA branco original como radiopacificador) foi atenuada substituindo o bismuto por outros agentes radiopacificadores em muitas formulações de segunda geração.

As indicações clínicas documentadas incluem o capeamento pulpar direto e a pulpotomia parcial em dentes permanentes com exposição pulpar por cárie ou trauma, com taxas de sucesso a longo prazo superiores às do hidróxido de cálcio puro segundo várias revisões sistemáticas; a apicificação numa única sessão (formação de uma barreira apical artificial numa única sessão, alternativa mais rápida do que os meses exigidos pelo hidróxido de cálcio tradicional); a reparação de perfurações radiculares e da câmara pulpar; e a obturação retrógrada na cirurgia endodôntica periapical, onde substituiu substancialmente o amálgama como material de referência.

As diferenças práticas relevantes para a escolha clínica entre as diferentes formulações incluem a facilidade de manipulação (consistência granular mais difícil de veicular no MTA original em comparação com a consistência mais cremosa de muitas formulações modernas), o tempo de trabalho disponível antes do endurecimento, a resistência à compressão final (relevante sobretudo para as obturações retrógradas sujeitas a carga oclusal indireta), e o custo por aplicação — significativamente mais elevado do que os materiais tradicionais, um fator que deve ser equilibrado com o benefício clínico documentado caso a caso.

Na Oralzon encontra a ampla gama de cimentos biocerâmicos, MTA nas suas diferentes formulações e Biodentine para todas as indicações clínicas de regeneração e reparação em endodontia.