Porquê uma plataforma europeia e não apenas italiana
A opção de operar nos 27 países da União, e de parar aí, parece uma decisão comercial. É antes a consequência de como funcionam as regras.
Dentro da União a venda entre dois sujeitos passivos é simples por construção. Não há direitos, não há declaração aduaneira, e o imposto liquida-se por autoliquidação sem desembolso.
Uma encomenda de Milão para Roterdão comporta as mesmas obrigações que uma de Milão para Turim, com a diferença a favor de o IVA não ser adiantado.
Fora da União muda tudo. Surgem declaração aduaneira, direitos variáveis por categoria, IVA na importação adiantado na alfândega, e prazos que dependem de uma etapa que nenhuma das partes controla.
Nos dispositivos médicos junta-se a questão decisiva: a marcação CE vale na União, e um produto conforme noutro mercado não o é automaticamente aqui.
Um profissional que compra fora assume uma verificação de conformidade que dentro da União o quadro normativo comum já garante, e em caso de reclamação essa diferença pesa.
Somando estes elementos, a fronteira da União não é uma linha no mapa mas o ponto em que uma compra passa de simples a complexa.
Para o comprador isto significa que cada vendedor visível na plataforma é alcançável nas mesmas condições que um nacional, e a escolha assenta em preço, disponibilidade e fiabilidade em vez de na proveniência.
Para o vendedor significa que o catálogo carregado uma vez fica disponível a profissionais de 27 países sem obrigações acrescidas face à venda interna, salvo a menção correta na fatura.
Resta a questão da língua, o obstáculo prático que sobra depois de removidos os normativos. As fichas estão traduzidas em oito línguas e cobrem a larga maioria dos profissionais da área.
O efeito combinado é que a distância deixa de ser uma variável relevante na decisão de compra, continuando a sê-lo apenas nos prazos de entrega.
É por isso que uma plataforma europeia faz sentido onde uma plataforma italiana seria apenas mais um revendedor online: o valor não está no número de vendedores mas em pertencerem a mercados diferentes com tabelas diferentes.
Em síntese: dentro da União a venda entre empresas não tem direitos nem alfândega e o IVA não se adianta, fora surgem todos ao mesmo tempo, a marcação CE vale no mercado comum, a língua era o obstáculo restante e a tradução resolve-o, e o valor está no acesso a tabelas de mercados diferentes.