Implantes zigomáticos para pacientes com atrofia óssea grave

Como funciona a ancoragem no osso zigomático quando a maxila já não tem volume suficiente, as diferentes técnicas disponíveis, e por que uma revisão sistemática recente convida à cautela.

Os implantes zigomáticos são fixtures implantares de comprimento considerável — tipicamente entre 35 e 55 milímetros, contra os cerca de 8-16 milímetros de um implante tradicional — concebidos para se ancorarem não na maxila superior, frequentemente demasiado reabsorvida nos casos mais graves, mas no corpo do osso zigomático, estruturalmente muito mais denso e resistente. A técnica foi introduzida por Brånemark em 1998, inicialmente para a reabilitação de pacientes com défices ósseos maxilares graves resultantes de ressecções oncológicas, traumas ou malformações, e depois estendeu-se aos casos de atrofia maxilar grave da edentulia comum.

A grande vantagem desta técnica é a possibilidade de evitar, ou pelo menos reduzir drasticamente, a necessidade de intervenções de regeneração óssea preliminares — procedimentos biologicamente onerosos, com tempos de cicatrização longos e resultados nem sempre previsíveis. Através da ancoragem bicortical no osso zigomático, os implantes zigomáticos permitem muitas vezes uma carga protética imediata ou, de qualquer forma, muito mais rápida em relação aos tempos exigidos por um enxerto ósseo tradicional seguido de implantes convencionais.

Ao longo dos anos foram desenvolvidas diversas variantes da técnica original de Brånemark: a abordagem intrassinusal clássica, que faz passar o corpo do implante através do seio maxilar; a abordagem extrassinusal, que reduz o envolvimento do seio; o protocolo ZAGA (Zygoma Anatomy-Guided Approach), que personaliza o trajeto do implante com base na anatomia específica do paciente detetada por CBCT; e o conceito "quad zygoma", que prevê a colocação de dois implantes zigomáticos por lado nos casos de atrofia total, na ausência de qualquer osso maxilar remanescente utilizável para implantes convencionais anteriores.

É correto, por completude científica, referir também uma nota de cautela: uma revisão sistemática da literatura evidenciou como a indicação principal — a "atrofia óssea maxilar extrema" — não é definida de forma unívoca entre os diferentes estudos disponíveis, uma limitação metodológica que torna mais difícil comparar de forma rigorosa os resultados relatados pelos vários centros. Isto não retira que, nos centros com experiência especializada consolidada, os implantes zigomáticos continuem a ser uma opção com boas percentagens de sucesso documentadas mesmo a dez anos, mas confirma que se trata de um recurso a reservar para casos selecionados com atenção, não uma alternativa de primeira escolha à regeneração óssea convencional.

Na Oralzon encontra o instrumental cirúrgico especializado para a implantologia zigomática, juntamente com os sistemas de planeamento digital necessários para um procedimento desta complexidade.