Higiene no idoso: quando a destreza diminui, mudar de instrumento vale mais do que insistir
A degradação da higiene oral no idoso é muitas vezes lida como queda de motivação, quando na maioria dos casos é uma questão de capacidade motora.
Artrose das mãos, força de preensão reduzida, tremor, limitação do ombro: cada uma destas condições reduz a eficácia da escovagem independentemente do empenho.
Repetir as instruções a um doente que fisicamente não as consegue executar produz frustração e afasta-o do controlo. A pergunta útil não é se escova, mas se consegue fazê-lo.
Um modo simples de o verificar é pedir-lhe que mostre como escova. Em trinta segundos vê-se se o punho roda, se alcança os setores posteriores, se a preensão é estável.
Os cabos engrossados são a modificação mais eficaz e menos dispendiosa. Um cabo de maior diâmetro exige menos força de preensão, e a diferença num doente com artrose é imediata.
Existem escovas com cabo ergonómico dedicado, mas a adaptação funciona também com soluções improvisadas: um tubo de borracha, uma bola de ténis furada, um punho de espuma de ciclismo.
A escova elétrica é a compensação mais eficaz, porque substitui o movimento do punho pelo do dispositivo. O doente só tem de a posicionar, e isso reduz a exigência motora de forma substancial.
O peso do aparelho deve contudo ser considerado: alguns modelos são pesados, e num doente com força reduzida isso torna-se um limite em vez de uma ajuda.
Entre os meios interdentários, o escovilhão de cabo longo é nitidamente preferível ao fio, que exige uma coordenação bimanual fina muitas vezes já indisponível.
Os porta-fios resolvem em parte, mas o escovilhão continua a ser a escolha mais realista onde o espaço o permite, e na maioria dos idosos os espaços aumentaram por recessão.
A prótese removível acrescenta um nível de dificuldade, porque tem de ser retirada, limpa e recolocada. Manipular uma prótese com as mãos trémulas sobre um lavatório é a situação que produz a maioria das fraturas.
Quando há um cuidador, a instrução dá-se a ele e não apenas ao doente. Uma explicação dada só a quem depois não a executa perde-se por completo.
Em síntese: verificar a capacidade motora antes de repetir as instruções, engrossar o cabo como primeira adaptação, a elétrica compensa o movimento mas escolhe-se leve, o escovilhão supera o fio, e o cuidador instrui-se diretamente.