Gestão da sensibilidade pós-branqueamento
Por que o peróxido de hidrogénio causa sensibilidade dentinária mesmo sem exposição direta da dentina, e as estratégias práticas para a prevenir e geri-la.
A sensibilidade dentária é de longe o efeito colateral mais comum do branqueamento, relatada por uma parte significativa dos pacientes submetidos a tratamentos de alta concentração, mesmo na ausência de qualquer exposição da dentina ou recessão gengival pré-existente. O mecanismo exato não está completamente esclarecido pela literatura, mas a hipótese mais aceite é que o peróxido de hidrogénio, pela sua pequena dimensão molecular, se difunde rapidamente através do esmalte e da dentina até atingir a câmara pulpar, onde desencadeia uma libertação local de mediadores pró-inflamatórios responsáveis pela sensação dolorosa.
Esta sensibilidade é geralmente transitória, com uma duração que vai de poucas horas até 2-3 dias após o tratamento, e tende a resolver-se espontaneamente sem deixar consequências permanentes. Isto não retira que represente, para uma parte dos pacientes, o principal fator limitante na escolha de se submeterem a um tratamento branqueador, especialmente nos protocolos no consultório de alta concentração concentrados numa única sessão.
As estratégias de prevenção mais utilizadas incluem a aplicação tópica de agentes dessensibilizantes — tipicamente à base de nitrato de potássio ou flúor — antes, durante ou logo após o tratamento branqueador, de forma a reduzir a excitabilidade das terminações nervosas pulpares ainda antes de o peróxido atingir a câmara pulpar. Alguns protocolos modernos integram diretamente o dessensibilizante na formulação do próprio gel branqueador, permitindo uma ação preventiva simultânea ao tratamento.
No plano farmacológico, o uso de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides tomados antes ou depois da sessão não mostrou, segundo a literatura disponível, uma eficácia totalmente satisfatória no controlo da sensibilidade pós-branqueamento, sugerindo que o mecanismo subjacente não é puramente inflamatório periférico. Na prática clínica, a estratégia mais eficaz continua muitas vezes a ser preventiva: escolher protocolos de concentração mais baixa e tempos de aplicação mais longos (típica do branqueamento domiciliar) nos pacientes com um historial de sensibilidade dentinária conhecida, reservando os protocolos de alta concentração no consultório aos pacientes sem antecedentes de hipersensibilidade.
Na Oralzon encontra géis dessensibilizantes à base de nitrato de potássio e flúor para associar aos protocolos de branqueamento profissional, para reduzir a incidência e a intensidade da sensibilidade pós-tratamento.