Fotopolimerizador LED: porque os watts declarados dizem pouco sobre a qualidade da polimerização
O que mede realmente a irradiância, porque a distância à superfície conta tanto como a potência e que erros de utilização produzem compósitos subpolimerizados que se degradam nos meses seguintes.
O parâmetro que conta não é a potência absoluta da fonte mas a irradiância, ou seja, a energia que efetivamente chega por unidade de superfície, e a energia total entregue é o produto de irradiância e tempo. Isto explica porque um valor elevado declarado na ficha técnica nada garante por si só: o mesmo aparelho que em contacto entrega o valor nominal pode, afastado oito milímetros — a distância real ao polimerizar o fundo de uma cavidade profunda de classe II —, entregar uma fração. A consequência clínica é concreta: um compósito que recebe energia insuficiente polimeriza apenas à superfície, retém monómero residual nas camadas profundas e nos meses seguintes mostra sensibilidade pós-operatória, discromia marginal e infiltração.
A segunda variável é o espectro. Os fotoiniciadores não são todos iguais: a canforoquinona absorve em torno dos 470 nanómetros, mas vários compósitos estéticos e alguns cimentos adesivos usam iniciadores alternativos que absorvem mais abaixo, na direção dos 400. Um aparelho monopico centrado no azul polimeriza perfeitamente os materiais com canforoquinona e deixa subpolimerizados os de iniciadores alternativos, sem que nada o assinale ao operador. Os aparelhos multipico, ou poliwave, cobrem ambas as janelas, e é isto — não o número de watts — que justifica preferi-los se no consultório se usam materiais de fabricantes diferentes.
Os erros de utilização mais frequentes são quatro e todos corrigíveis a custo zero. Polimerizar à distância em vez do mais perto possível da superfície, sem compensar com tempo adicional. Usar o modo rápido indiscriminadamente: os ciclos curtos de alta intensidade funcionam em camadas finas e materiais compatíveis, não em todas as situações. Esquecer os incrementos: uma camada de compósito demasiado espessa não polimeriza em profundidade por muito que se prolongue a exposição, porque a luz se atenua ao atravessar o material. E descurar a manutenção da janela de emissão, onde um resíduo de adesivo endurecido reduz a saída de forma invisível a olho nu mas mensurável com um radiómetro — instrumento que vale a pena usar periodicamente, porque é o único modo de notar que um aparelho está a perder eficiência antes que o façam as restaurações.
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