Mudar um material que usa há dez anos: o risco não é o produto, é a quantidade

Quase todas as clínicas têm pelo menos um produto que continuam a usar sem estarem convencidas dele. Não por hábito cego, mas por um cálculo que a certa altura foi feito e nunca mais se repetiu.

O cálculo é simples: mudar comporta um risco, ficar não. E enquanto o produto atual funcionar de forma aceitável, o risco não compensa.

O interessante é perceber de onde vem esse risco, porque normalmente não é clínico.

O risco verdadeiro é a quantidade. Se para experimentar um material tiver de comprar fornecimento para seis meses, e ao fim de duas semanas descobrir que não gosta de como trabalha, tem no armário um problema que o olhará todos os dias.

Não assusta o falhanço da experiência, mas a sua duração. Um erro de cinquenta euros esquece-se; um erro de oitocentos euros fica na prateleira.

Isto produz um efeito que vale a pena reconhecer: não está a escolher o melhor produto, está a escolher aquele que já escolheu. E a decisão original talvez remonte a um comercial que não passa há anos.

Entretanto o mercado mexeu-se. Saíram materiais novos, os preços deslocaram-se, e alguns fornecedores que então não existiam hoje estão cá.

A condição que permite reabrir a escolha é poder comprar pouco. Uma embalagem, não uma caixa completa.

É isso que torna sensato um catálogo onde cada vendedor fixa as suas condições: a quantidade mínima não é uma regra única da plataforma, e em muitos casos pode levar a embalagem individual para ver como trabalha.

O modo correto de fazer a experiência, contudo, não é apenas comprar. É usar o produto num número suficiente de casos, exatamente nos mesmos passos em que usa o habitual, e anotar o que muda realmente na cadeira.

Muitas experiências falham por um motivo banal: experimenta-se uma vez, num dia mau, e conclui-se que o produto não presta. Um material novo exige algumas sessões só para habituar o gesto.

Se depois dessas sessões o produto for equivalente e custar menos, encontrou uma poupança recorrente. Se for melhor, melhorou um procedimento. Se for pior, gastou o preço de uma embalagem para o saber.

Em resumo: o travão à mudança não é clínico mas quantitativo, um erro que fica no armário pesa mais do que custa, ficar parado significa trabalhar com uma escolha feita há anos noutro mercado, poder comprar uma embalagem individual reabre a avaliação, e a experiência exige várias sessões para superar o efeito hábito.