Escovilhões interdentários: a medida escolhe-se pelo espaço mais estreito, não pelo mais cómodo
O escovilhão interdentário tem melhor evidência do que o fio onde o espaço o permite, e a razão pela qual muitos doentes não obtêm benefício é quase sempre a medida errada.
Um escovilhão pequeno demais entra com facilidade e não toca as paredes. O doente tem a sensação de ter limpo, o gesto é cómodo, e o biofilme fica onde estava.
É a falha mais insidiosa porque não produz sinal algum: nenhuma resistência, nenhuma hemorragia, nenhum incómodo. Apenas a ausência de resultado no controlo seguinte.
Um escovilhão grande demais, pelo contrário, não entra ou entra forçando, e traumatiza a papila. O doente perceciona-o e deixa de o usar, muitas vezes sem o dizer.
A medida correta é a que entra com ligeira resistência e toca ambas as paredes. A escala ISO vai do 0, para os espaços mais estreitos, às medidas superiores para espaços amplos.
As sondas de medição permitem determinar a medida de cada espaço em vez de a estimar. São económicas e transformam uma prescrição aproximada numa precisa.
O ponto que se descura é que os espaços de um mesmo doente têm medidas diferentes. Prescrever uma medida única para toda a boca significa errá-la em metade dos espaços.
A indicação útil prevê duas ou três medidas, indicando qual usar onde. É mais complexa de explicar mas é a única que funciona verdadeiramente.
A forma pesa na adaptação. O escovilhão cilíndrico preenche de modo uniforme espaços paralelos; o cónico adapta-se aos espaços triangulares e às zonas posteriores onde a abertura é maior para o fundo.
Para os espaços que alargam para dentro, típicos após perda de inserção periodontal, a forma cónica limpa uma superfície maior para igual dimensão de entrada.
A alma metálica deve ser revestida quando o escovilhão se usa em torno de implantes ou restaurações, porque o fio descoberto risca o titânio e a cerâmica. Existem modelos com alma de plástico para estas indicações.
A substituição faz-se quando as cerdas se deformam, tipicamente após uma ou duas semanas de uso diário. Um escovilhão gasto já não preenche o espaço e recai no primeiro erro.
Em síntese: a medida determina-se com uma sonda e não a olho, um mesmo doente precisa de várias medidas, a forma cónica adapta-se aos espaços alargados, a alma reveste-se em implantes, e um escovilhão gasto volta a ficar pequeno.