Escovilhões interdentários: porque a medida errada é pior do que não os usar

Como se escolhe o diâmetro consoante o espaço real, porque um escovilhão demasiado pequeno dá uma falsa sensação de limpeza e quando o descartável embalado individualmente faz sentido no consultório.

O escovilhão interdentário é mais eficaz do que o fio na remoção da placa interproximal quando o espaço o permite, e a razão é geométrica: as superfícies proximais dos dentes posteriores são côncavas, e um fio esticado atravessa-as tocando apenas os pontos mais salientes. As cerdas de um escovilhão, pelo contrário, adaptam-se à concavidade e alcançam as áreas que o fio salta. Mas esta vantagem só existe se o diâmetro for correto: um escovilhão que entra sem tocar as paredes não limpa nada e dá ao doente a sensação tranquilizadora de ter cumprido, que é a pior forma de falhar, porque lhe retira também a motivação para procurar um método que funcione.

A medida certa é a que entra com ligeira resistência e comprime apenas as cerdas, sem forçar e sem ter de empurrar. O que torna o tema menos banal do que parece é que o espaço interdentário não é igual em toda a boca do mesmo doente: os espaços entre os incisivos inferiores são estreitos, os entre molares são mais amplos, e as zonas com recessão gengival ou após terapia periodontal alteram por completo as necessidades. Um doente que usa uma única medida para toda a arcada está quase de certeza a limpar bem uma parte da boca e nada o resto. Na prática, é por isso que a instrução de higiene domiciliária deveria incluir a medição dos espaços na cadeira e não uma recomendação genérica.

Quanto à técnica valem duas indicações que reduzem danos. O escovilhão introduz-se perpendicular à superfície dentária, com movimento de vaivém, sem o rodar como um parafuso: a rotação forçada dobra o fio metálico central e pode fazê-lo sair das cerdas. E não deve ser usado para abrir caminho onde não há espaço: num ponto de contacto apertado, forçar um diâmetro excessivo traumatiza a papila e com o tempo cria justamente aquele triângulo negro que se queria evitar. Onde o espaço está fechado, o instrumento correto continua a ser o fio.

Quanto ao formato, a diferença entre uma embalagem de trinta unidades e o descartável embalado individualmente não é de produto mas de destino de uso. A embalagem múltipla destina-se ao doente em casa; a peça única selada serve ao consultório, onde é entregue no fim da consulta de higiene como demonstração prática da medida certa para aquele doente, e é também o único formato que faz sentido ter na sala de espera ou no balcão. As versões aromatizadas existem por uma razão prática de adesão: um doente que acha a manobra desagradável deixa de a fazer, e na higiene domiciliária a constância vale mais do que a técnica perfeita.

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