Endodontia regenerativa em dentes imaturos com ápice aberto

O protocolo de revascularização como alternativa à apicificação com hidróxido de cálcio em dentes permanentes jovens necróticos, os mecanismos biológicos envolvidos, e os limites prognósticos atuais da técnica.

Um dente permanente jovem com necrose pulpar e ápice ainda não completado coloca um desafio específico: as paredes dentinárias finas e divergentes são extremamente frágeis, e a ausência de encerramento apical torna impossível uma obturação de canal convencional. A abordagem histórica, a apicificação com hidróxido de cálcio, induz a formação de uma barreira apical calcificada através de aplicações repetidas ao longo de 6-18 meses, mas não contribui de forma alguma para o espessamento das paredes radiculares — que permanecem frágeis e predispostas a fratura cervical mesmo anos após o tratamento.

A endodontia regenerativa, codificada nas diretrizes da American Association of Endodontists, propõe uma abordagem biologicamente diferente: após a desinfeção do canal com irrigantes de baixa concentração (hipoclorito de sódio a 1,5-3%, para não danificar as células estaminais residuais na papila apical) e a medicação intracanalar com pasta triantibiótica ou hidróxido de cálcio, induz-se um sangramento controlado a partir do tecido periapical através de instrumentação além do ápice. O coágulo sanguíneo resultante funciona como matriz para a migração de células estaminais mesenquimais provenientes da papila apical (SCAP) e do ligamento periodontal, que podem diferenciar-se em células semelhantes a odontoblastos e continuar a formação radicular.

Os resultados clínicos documentados mostram resolução dos sinais de patologia periapical em mais de 90% dos casos tratados com sucesso, com espessamento das paredes dentinárias observável radiograficamente em 70-80% dos casos e encerramento apical completo ou parcial numa proporção variável — mas com heterogeneidade significativa entre os vários estudos na própria definição de sucesso, o que dificulta uma comparação direta entre as séries publicadas. Um fator prognóstico determinante é o estádio de desenvolvimento radicular no momento do tratamento: dentes com ápice mais amplo e papila apical melhor preservada respondem de forma mais favorável do que dentes com necrose surgida muito precocemente no desenvolvimento radicular.

A discromia coronal é a complicação estética mais frequentemente relatada, associada principalmente ao uso de pasta triantibiótica contendo minociclina, que pode penetrar os túbulos dentinários e causar um escurecimento visível da coroa clínica — um fator relevante sobretudo nos dentes anteriores. O uso de protocolos sem minociclina, ou a aplicação de uma barreira dentinária antes da medicação, reduz significativamente este risco sem comprometer a eficácia biológica documentada.

Na Oralzon encontra hidróxido de cálcio, materiais para a selagem coronal, e cimentos biocerâmicos para a barreira cervical necessária para completar o protocolo de revascularização de acordo com as diretrizes atuais.