Diagnóstico das fraturas radiculares verticais
Os sinais clínicos e radiográficos que orientam para uma fratura radicular vertical, o papel da TCFC no diagnóstico precoce, e por que um diagnóstico tardio é frequentemente a causa real de um fracasso endodôntico atribuído a outra coisa.
A fratura radicular vertical (FRV) é uma das causas de fracasso endodôntico mais difíceis de diagnosticar precocemente, porque na fase inicial os sinais clínicos e radiográficos são frequentemente indistinguíveis dos de uma periodontite apical persistente de origem infeciosa — levando frequentemente a retratamentos de canal desnecessários em dentes cujo prognóstico real já está comprometido de forma irreversível. O quadro clínico clássico inclui dor à mastigação de intensidade moderada (diferente da dor aguda pulpar), uma bolsa periodontal estreita e isolada — muitas vezes descrita como 'em lâmina de faca' pela sua forma característica, distinta das bolsas mais amplas de origem periodontal — e por vezes um trajeto fistuloso que pode apresentar-se numa posição mais coronal do que a típica das lesões endodônticas convencionais.
O quadro radiográfico bidimensional convencional mostra tipicamente, quando a fratura evoluiu, uma reabsorção óssea característica em 'halo' ao longo de todo o comprimento radicular, ou uma radiotransparência em J que envolve o ápice e sobe pela superfície radicular lateral — mas nas fases iniciais a radiografia periapical convencional tem sensibilidade limitada, porque a linha de fratura está frequentemente orientada num plano não paralelo ao feixe de raios X e, por isso, é invisível ou apenas sugerida indiretamente por sinais ósseos secundários.
A tomografia computorizada de feixe cónico (TCFC) melhorou significativamente a precisão diagnóstica, permitindo a visualização direta da linha de fratura numa proporção relevante dos casos em que o diagnóstico clínico já era fortemente suspeito, além de tornar visíveis padrões característicos de reabsorção óssea perirradicular — em particular a perda óssea vestibular ou lingual isolada, distinta da reabsorção circunferencial típica das lesões endodônticas de origem puramente infeciosa. O artefacto de endurecimento do feixe (beam hardening) gerado por pinos metálicos ou materiais de obturação radiopacos continua, no entanto, a ser uma limitação técnica que pode mascarar a linha de fratura em dentes já retratados ou reconstruídos com espigão metálico.
Os fatores de risco documentados para a fratura radicular vertical incluem a remoção excessiva de dentina durante a conformação do canal (em particular com técnicas de conicidade elevada), o uso de espigões rígidos e sobredimensionados em relação ao diâmetro radicular remanescente, forças oclusais parafuncionais não geridas (bruxismo), e dentes já tratados endodonticamente — cuja dentina, após a remoção da polpa e a perda de humidade intrínseca ao longo do tempo, apresenta menor resistência à propagação de microfraturas em comparação com um dente vital. Uma vez confirmada a fratura, o prognóstico para a preservação do dente é quase sempre desfavorável, e a extração — com eventual substituição implantar — continua a ser a opção terapêutica mais previsível na grande maioria dos casos documentados na literatura.
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