Quantos dentistas há na Europa que não sabem que existe
Um distribuidor italiano conhece bem os seus clientes e sabe quantas clínicas cobre a sua rede. A pergunta que raramente faz é quantos profissionais há, na União, sem modo de saber que a sua empresa existe.
A profissão de medicina dentária na Europa conta profissionais às centenas de milhares, repartidos por 27 países. Mesmo o distribuidor mais estruturado alcança uma fração mínima.
O limite não é comercial mas físico. Uma rede de vendas cobre o território que consegue visitar, e alargá-la significa contratar, formar e sustentar pessoas noutra zona geográfica.
Para outro país a conta piora: é preciso alguém que fale a língua, conheça o mercado local e saiba construir relações do zero. É um investimento que só volumes já garantidos justificam.
Daí que a expansão para o estrangeiro fique reservada às empresas que se podem dar ao luxo de perder dinheiro durante dois anos. Para as restantes continua a ser uma hipótese adiada.
Um marketplace não substitui uma rede comercial, e seria incorreto afirmá-lo. Faz outra coisa: torna o catálogo visível a quem procura aquele produto, esteja onde estiver.
Um dentista em Roterdão que procura um material nunca chegará ao site de uma empresa italiana. Mas se esse material aparecer numa pesquisa na plataforma, com a ficha na sua língua e um preço comparável, a distância deixa de ser relevante.
A Oralzon opera nos 27 países da União. Parar nas fronteiras da União não é arbitrário: decorre das regras de IVA que tornam simples a venda entre profissionais europeus e complicada a venda para fora.
A vantagem prática para um vendedor é não ter de decidir antecipadamente que mercados cobrir. O catálogo é visível em todo o lado, e as primeiras encomendas indicam por si onde há procura.
É um modo de testar um mercado que não exige investimento prévio. Se ao fim de seis meses as encomendas vêm da Alemanha e não de Portugal, tem uma informação que nenhum estudo de mercado lhe teria dado com a mesma fiabilidade.
Sobre essa base pode depois decidir se vale a pena estruturar-se num país concreto, com dados reais em vez de previsões.
Resta por fim a questão da sazonalidade e da concentração do risco. Uma empresa que vende num só país segue o andamento desse mercado. Repartir as encomendas por vários países atenua os desvios locais sem exigir qualquer estrutura adicional.
Em síntese: a rede comercial limita a cobertura ao território visitável, a expansão externa tradicional exige investimentos que poucos sustentam, um catálogo visível em 27 países permite testar a procura sem compromisso, e as primeiras encomendas dizem onde convém estruturar-se.