Cerâmicas de estratificação: o coeficiente de expansão decide se o revestimento se mantém aderido

O revestimento estético é a parte mais visível de uma restauração e a mais frágil. A fratura da cerâmica de revestimento é a complicação técnica mais frequente na prótese fixa, e a causa habitual não está no material mas no acoplamento.

As cerâmicas de estratificação são vidros feldspáticos com óxidos acrescentados. A composição determina a temperatura de cozedura, a translucidez e — sobretudo — o coeficiente de expansão térmica.

Esse coeficiente governa a compatibilidade. Estrutura e revestimento aquecem e arrefecem juntos, e se se dilatam de forma diferente nascem tensões residuais que ficam retidas na peça.

A regra consolidada exige que a cerâmica tenha um coeficiente ligeiramente inferior ao da estrutura. Ao arrefecer, a estrutura contrai um pouco mais e deixa o revestimento em compressão.

A cerâmica resiste muito bem à compressão e mal à tração: uma ligeira pré-compressão torna-a mais resistente. Se a relação se inverte, o revestimento fica em tração e fratura sob cargas que de outro modo toleraria.

Por isso não se pode usar qualquer cerâmica sobre qualquer estrutura. As cerâmicas para zircónia têm coeficientes diferentes das de metal, e trocá-las produz fraturas precoces que parecem inexplicáveis.

A velocidade de arrefecimento é a variável de laboratório com o efeito mais bem documentado. A zircónia conduz o calor muito menos do que o metal, e um arrefecimento rápido deixa o interior do revestimento ainda quente enquanto a superfície já contraiu.

O arrefecimento lento após a última cozedura reduz sensivelmente o chipping, e é uma alteração de protocolo que não custa nada além de tempo de forno.

O número de cozeduras afeta a cor de forma cumulativa. Cada ciclo térmico faz a cerâmica perder parte dos pigmentos voláteis e aumenta a translucidez: uma restauração cozida seis vezes sai mais clara e mais transparente do que o previsto.

Quando um caso exige muitas correções, a caracterização final deve ser refeita tendo em conta as cozeduras já realizadas, e não repetida igual.

A contaminação durante a estratificação causa defeitos que só se manifestam após a cozedura. Pó, restos de gesso ou gorduras da pele produzem bolhas ou zonas opacas no corpo da cerâmica.

Pela mesma razão a estrutura é jateada e limpa antes de receber a primeira camada, e não se toca com as mãos nuas entre passos.

Em síntese: cerâmica e estrutura devem ter coeficientes de expansão compatíveis e não são intermutáveis, o arrefecimento lento reduz as fraturas, e cada cozedura clareia o resultado. Três parâmetros que residem no laboratório mas que o clínico deve conhecer para interpretar um insucesso.