Cerâmicas dentárias: tipos e propriedades óticas
Por que a translucidez de uma cerâmica dentária é sempre um compromisso com a resistência mecânica, e como as diferentes famílias cerâmicas se posicionam ao longo deste equilíbrio.
As cerâmicas utilizadas em odontologia dividem-se em três grandes famílias consoante a sua estrutura microscópica: as vitrocerâmicas (feldspáticas e à base de dissilicato de lítio), que devem a sua elevada translucidez a uma matriz vítrea amorfa capaz de transmitir a luz de forma semelhante ao esmalte natural; as cerâmicas policristalinas (zircónia e alumina), estruturalmente mais resistentes mas tradicionalmente menos translúcidas pela sua natureza cristalina compacta; e os materiais híbridos, que combinam uma componente cerâmica e uma resinosa para equilibrar as propriedades dos dois mundos.
O princípio físico que rege este equilíbrio é simples de enunciar mas difícil de equilibrar na prática: quanto mais ordenada e compacta é uma estrutura cristalina, maior é a sua resistência mecânica, mas menor é a sua capacidade de transmitir a luz sem a difundir — razão pela qual, historicamente, obter alta resistência e alta translucidez no mesmo material cerâmico foi sempre um objetivo em tensão consigo próprio. As vitrocerâmicas, com a sua estrutura amorfa, privilegiam naturalmente a translucidez; as cerâmicas policristalinas privilegiam a resistência.
Outro parâmetro ótico relevante, além da translucidez, é a opalescência — a capacidade de um material parecer azulado em luz refletida e alaranjado-acastanhado em luz transmitida, um fenómeno natural do esmalte dentário que as cerâmicas de última geração procuram replicar através da adição controlada de partículas de dimensões nanométricas na sua formulação. Os blocos cerâmicos multicamada, hoje difundidos tanto para o dissilicato de lítio como para a zircónia, enfrentam este desafio oferecendo um gradiente de cor e translucidez dentro do mesmo bloco: mais opaco e resistente na zona cervical, mais translúcido em direção ao incisal, replicando a variação ótica natural de um dente real.
A escolha da família cerâmica mais adequada a um caso específico depende assim de uma avaliação que equilibra a posição da restauração (setor anterior ou posterior), a carga mastigatória esperada, a espessura disponível e as expectativas estéticas do paciente — não existe uma cerâmica "melhor" em absoluto, mas apenas a escolha mais indicada para o compromisso exigido por cada caso clínico.
Na Oralzon encontra blocos e discos em vitrocerâmica, zircónia e materiais híbridos em diferentes tonalidades e níveis de translucidez, para adaptar a escolha cerâmica a cada indicação clínica.