Alimentação e saúde dos dentes: o que aconselhar aos pacientes

A classificação dos alimentos em cariogénicos, cariostáticos e anticariogénicos, por que conta mais a frequência dos açúcares do que a quantidade total, e o papel protetor do xilitol.

Uma forma útil de comunicar aos pacientes a relação entre dieta e saúde dentária é a classificação dos alimentos em três categorias consoante o seu comportamento na presença de placa bacteriana. Os alimentos cariogénicos — açúcares simples, cereais refinados, bebidas gaseificadas e sumos de fruta industriais — favorecem o aparecimento da cárie fornecendo o substrato fermentável às bactérias cariogénicas. Os alimentos cariostáticos, como carne, peixe, gorduras e a maioria dos vegetais, não têm um efeito direto sobre a cárie. Os alimentos anticariogénicos, por fim — fruta fresca pouco açucarada, vegetais, leite e queijos curados — reduzem o risco de cárie, em alguns casos estimulando o fluxo salivar ou contrariando diretamente a atividade das bactérias acidogénicas.

Um ponto que vale a pena esclarecer explicitamente aos pacientes é que a frequência de consumo de açúcares conta pelo menos tanto quanto a quantidade total consumida. Sempre que se ingerem açúcares fermentáveis, o pH da placa desce durante cerca de 20-30 minutos antes de regressar aos níveis basais; consumir cinco vezes por dia pequenas quantidades de açúcar gera mais episódios de ataque ácido do que uma única porção mais abundante consumida durante uma refeição principal. Por isso, a recomendação prática mais eficaz não é tanto "elimine o açúcar" quanto "consuma os açúcares durante as refeições principais, não como lanches isolados entre refeições".

A erosão dentária, um processo distinto da cárie, merece uma menção separada: é causada pela ação química direta de ácidos (citrinos, bebidas gaseificadas, vinho, refluxo gastroesofágico) sobre o esmalte, independentemente da presença de placa bacteriana ou bactérias cariogénicas. Aos pacientes com consumo frequente de alimentos ou bebidas ácidas é útil aconselhar que não escovem os dentes imediatamente após a ingestão — o esmalte temporariamente amolecido pelo ácido é mais vulnerável à abrasão mecânica da escova — mas que esperem pelo menos 20-30 minutos, eventualmente enxaguando a boca com água entretanto.

Entre os açúcares, o xilitol merece uma menção específica pelo seu comportamento diferente dos outros edulcorantes: embora tenha um poder edulcorante comparável ao da sacarose, não é fermentado da mesma forma pelas bactérias cariogénicas, e alguns estudos atribuem-lhe uma ação de redução direta da concentração de Streptococcus mutans na cavidade oral. Encontra-se comummente em pastilhas elásticas e rebuçados sem açúcar indicados precisamente para a prevenção da cárie.

Na Oralzon encontra materiais informativos e produtos de higiene oral para recomendar aos pacientes no âmbito de um percurso de educação alimentar orientado para a prevenção da cárie e da erosão dentária.